segunda-feira, 12 de março de 2012

História da Azulejaria

Este capítulo trata da História da Azulejaria a partir do século XV até o século XX. As técnicas utilizadas para a produção de azulejos também são mencionadas. E ainda a utilização deste elemento na arquitetura brasileira.



3 HISTÓRIA DA AZULEJARIA



            Para o site (http://pnsintra.imc-ip.pt/pt-PT/palacio/azulejos/ContentDetail.aspx) do Palácio Nacional de Sintra a azulejaria é o ramo da cerâmica cujos produtos se destinam à decoração e cuja aplicação é, especificamente, o revestimento de pisos e paredes.


            Cavalcanti e Cruz (2002, p.14) consideram o azulejo (al zuleyche, do árabe significa pedra lisa e polida) como um elemento decorativo desde os tempos mais remotos da civilização.


Sobre uma pequena placa de barro com as formas mais variadas, mas em princípio quadradas, cozida ao calor indireto do fogo, pintava-se, com terras coloridas dissolvidas em água, algumas figuras interessantes retratando a realidade local. Mais tarde, a placa recebeu uma aplicação de um vidrado tornando-se brilhante, transformou-se em uma peça rica em efeitos de luz e cor.


Conforme mencionado no capítulo anterior, na arte islâmica já se via a aplicação dos azulejos na arquitetura. Do oriente, ele foi trazido, pelos árabes, para a Itália, Espanha e na sequencia para Portugal. Os portugueses não inventaram o azulejo, mas o usaram de forma original há cinco séculos. Apesar de ao longo da sua história ter sofrido inúmeras influências, em Portugal características específicas foram desenvolvidas entre as quais se destaca a riqueza cromática, a monumentalidade, o sentido cenográfico e a integração na arquitetura.





3.1 A arte do azulejo do século XV





            De acordo com Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.


html), até a segunda metade do século XV, os artífices andaluzes produziram grandes placas de barro cobertas de vidrado colorido uniforme que, uma vez cozidas, cortavam em fragmentos geométricos que eram depois recombinados formando laçarias geométricas (Imagem 6). Conhecido pelo nome de alicatado, pois, envolvia a utilização de um alicate, este processo tornou-se delicado, moroso e difícil além de exigir que o artífice acompanhasse a encomenda até ao local da sua aplicação. A impossibilidade de exportar o produto já acabado constituía uma limitação importante.


Imagem 6 – Laçaria geométrica




3.2 A arte do azulejo do século XVI

            Após esse período, ou seja, no final do século XVI surge uma transformação técnica que leva ao aparecimento do azulejo de hoje – uma placa de barro quadrangular com uma face vidrada lisa ou decorada com desenhos coloridos. Este aperfeiçoamento permitiu um aumento na produção, uma padronização e, consequentemente, um custo mais baixo.


            Contudo, a separação das cores na superfície vidrada causava problemas porque as substâncias utilizadas se misturavam durante a cozedura. Para evitar este transtorno utilizava-se, como isolante, uma barreira gordurosa constituída por óleo de linhaça e manganês aplicados a pincel. Após a cozedura, se transformavam em traços negros de tom metálico conhecido como corda-seca.


            Pouco tempo depois aparece um processo em que a separação das cores era feita por arestas. Daí o nome azulejaria de arestas. Isto é, utilizavam-se moldes de madeira com sulcos formando desenhos, aplicados sob pressão à placa de argila ainda úmida e com isso deixavam arestas compartimentando as áreas a preencher com o esmalte. A aresta ou cuenca só passou a ser utilizada isoladamente depois da introdução de outra inovação – a fritagem que consistia no aquecimento dos vidrados a altas temperaturas antes de serem aplicados.


            Ainda para Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html), azulejos de corda seca e de aresta ficaram conhecidos com o nome de mudejares, hispano-árabes ou hispano-mouriscos. Durante o século XVI foram importados em grande quantidade para Portugal e aplicados em igrejas e palácios. Os desenhos dos azulejos hispano-árabes mantinham a influência das decorações árabes e reproduziam as laçarias e os esquemas geométricos. No final do século XVI surge outro avanço técnico. Devido à utilização do esmalte estanífero branco e dos pigmentos metálicos, foi possível pintar diretamente sobre o vidrado. Esta nova técnica conhecida pelo nome de majólica ou maiólica (provavelmente derivado da palavra Maiorca, porto de onde os azulejos eram importados) foi trazida para Portugal por Francisco Niculoso resultando uma facilidade na produção de desenhos mais complexos.


Em Portugal, um local que reúne todos os tipos de azulejos descritos até então, é o Palácio Nacional de Sintra. Acredita-se que foi necessário um artífice especializado para executar um trabalho de tamanha obra-prima.


            O azulejo alicatado foi utilizado no pavimento cerâmico da capela dos Paços de Sintra.


Imagem 7 – Azulejo alicatado


            A área pavimentar do quarto de Dom Afonso VI está revestida com azulejos, cobrindo cerca de 20 metros quadrados. Uma combinação de azulejos de vários formatos e dimensões ostentando desenhos de padronagem mourisca.


Imagem 8 – Azulejo de patronagem mourisca



A Sala das Sereias tem uma decoração inusitada. São ladrilhos cerâmicos esgrafitados, cuja ornamentação de arabescos é obtida pelo processo de abrir a buril o vidrado do azulejo até ao suporte de barro, o qual aparece na sua cor natural ou avivado com cal ou betume branco. Neste exemplo é possível verificar a união entre o azulejo e o arabesco.


Imagem 9 – Ornamentação de arabescos


            Azulejos de corda-seca são possíveis de identificar na Sala de Dom Sebastião, bem como, na Sala das Pegas.


Imagem 10 – Azulejos de corda seca



            Azulejos de aresta são vistos na Capela palatina.



Imagem 11 – Azulejos de aresta

            Os azulejos relevados tem na sua técnica de fabrico o barro moldado em formas e traz como característica um naturalismo rebuscado.



Imagem 12 – Azulejos relevados

            Em decorrência de algumas recomendações do Concílio de Trento, foi abolido nas igrejas tudo quanto lembrasse a arte islâmica ocorrendo assim, uma proliferação de motivos ornamentais italo-flamengos. Um considerável exemplo deste período é o revestimento em azulejos da Capela de S. Roque, em Lisboa, pintados por Francisco de Matos em 1584, afirmam Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html).


Os azulejos foram também utilizados nas igrejas para destacar o púlpito e assim prender a atenção do ouvinte.


            No final do século XVI, Portugal cai sob o domínio dos Filipes e devido às dificuldades econômicas o acesso às tapeçarias, aos vitrais e aos mármores, conduziram ao aproveitamento máximo do azulejo com material decorativo. De acordo com Cavalcanti e Cruz (2002, p.15), neste momento, aparecem numerosos exemplares de composições geométricas que vão desde os enxadrezados (combinações em xadrez) até formas mais complexas como os azulejos enxaquetados ou de caixilho.



3.3 A arte do azulejo do século XVII



Na sequência destes exemplares, cria-se a composição chamada de tapetes, do século XVII, formados pela repetição de padrões policromos inspirados nos desenhos das tapeçarias. Estes padrões resultavam de combinações de um número variável de azulejos, formando quadrados de quatro, dezesseis, trinta e seis, ou mais elementos, segundo Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html). Os vários tapetes revestiam de alto a baixo as paredes das igrejas e até mesmo o próprio teto. A Igreja de Marvila em Santarém e a Igreja de São Quintino, em Sobral do Montagraço, ambos em Portugal, são dois exemplos deste tipo de utilização do azulejo.

Segundo Cavalcanti e Cruz (2002, p.16) de 1630 a 1654, deu-se a ocupação de parte do Nordeste, pelos holandeses, mais precisamente em Pernambuco, onde houve a entrada de azulejos vindos da Holanda. Diferente das peças portuguesas, que não eram tão bem-acabadas nem tão detalhadas, essas traziam geralmente uma figura central ou apenas uma figura popular, tendo nos cantos desenhos de aranhiços, labirintos chineses, cabeças de boi estilizadas e flores-de-lis, além de apresentar dimensões ligeiramente maiores.


Já no Reinado de Dom Afonso VI (1656-1683), época em que desaparecem os últimos padrões policromados para tapetes dando lugar aos painéis figurativos e policromados e dos frontais de altar (adamascados, de brocado, de ramagens etc.).


No Reinado de Dom Pedro II (1683-1706) mudanças estéticas ocorrem por influência das porcelanas chinesas que rapidamente conquistaram o gosto europeu.


O azul-de-cobalto, substituindo a policromia dos azulejos, é empregado nas peças tendo bastante aceitação pelos holandeses que a partir de meados deste século, começam a aplicar tal coloração.


Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html) ressaltam que ao mesmo tempo, alastrava pela Europa a estética do barroco. Surge então o azulejo historiado, em que os personagens são captados em plena ação. Tudo isto coincide com a reconquista da independência de Portugal em 1640 e com o nascimento de uma nova aristocracia que rapidamente prospera. Os palácios passam a ser revestidos com painéis de azulejo representando batalhas, caçadas ou apenas cenas da vida cotidiana.


Nas escadarias e vestíbulos dos palácios mais abastados, surgem também as célebres figuras de convite que representam porteiros ou soldados armados. Já nas casas de recursos limitados, predominam as albarradas. Pela mesma altura, a figura avulsa, também de influência holandesa, ganha em Portugal uma expressão própria apesar do desenho de traço grosseiro e pouco cuidado.


            Mas foi, sobretudo, nas igrejas e nos conventos que o azulejo barroco adquiriu a monumentalidade que o imortalizou. Os exemplares espalhados por Portugal representam cenas do Velho e do Novo Testamento e contam episódios da vida dos santos, em séries de painéis como uma narrativa.


3.4 A arte do azulejo do século XVIII

Cavalcanti e Cruz (2002, p.17) comentam que no período artesanal (1690-1717/1720) destacam-se os mestres da pintura de azulejos portugueses como Antônio de Oliveira Bernardes (1600-1732) e Antônio Pereira. Inicia a fabricação de azulejos em azul e branco, de figura avulsa, painéis de vasos floridos, figuras de santos ex-votos, enquadramentos com faixas barrocas de folhas contorcidas, painéis retangulares. E, aparece o desenho em que participam elementos arquitetônicos, como cornijas, pilastras, colunas, capitéis, arquitraves, frontões, consolos, incorporando vãos reais.


A segunda metade do reinado de Dom João V (1725-1750), conforme Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html), foi o período de ampla produção. Bartolomeu Antunes (1688-1763) foi o grande produtor de azulejos da época. É neste período que se exportam para o Brasil as mais belas e perfeitas composições portuguesas. Após a morte de D. João V e já no consulado do Marquês de Pombal, a azulejaria decorativa passou a ser influenciada pela estética "rocaille" (rococó). Desaparecem então as exuberâncias decorativas do período anterior, há um regresso do policromatismo com uma paleta de quatro cores e passa-se a exibir as asas de morcego e formas mais orgânicas como os concheados assimétricos, típicos do estilo Luis XV. Na Fábrica do Rato, fundada em 1764, foram produzidos alguns dos exemplares deste período.


Mas a época pombalina ficou igualmente marcada por um tipo de azulejaria utilitária que surgiu após o Terramoto de 1755. Durante a reconstrução da cidade, o Marquês de Pombal incentivou a produção de azulejos, que constituíam material funcional, barato, higiênico e resistente.


Sobretudo depois do Terramoto proliferaram em todo o País, e particularmente em Lisboa, os registos de santos, pequenos painéis devocionais que eram colocados nas fachadas com o objetivo de obter proteção contra as catástrofes.


            A partir de 1760, no reinado de Dom José (1750-1777) a tendência é para uma decoração abstrata e regressa-se ao cromatismo, conforme Cavalcanti e Cruz (2002). O desenho das molduras evolui para o rococó. A paleta cromática acrescenta as cores amarela, verde, roxa, azul.

            Mas cerca de 1780, já em pleno reinado de D. Maria I, surge o estilo neoclássico. O azulejo português aderiu aos enquadramentos retilíneos e aos elementos decorativos polícromos em que predominavam os florões, as grinaldas, as plumas, os laços, as fitas ondulantes e os medalhões com paisagens. O "estilo D. Maria", como ficou conhecido em Portugal, durou até ao princípio do século XIX.


            No Brasil, para onde desde o século XVII eram enviadas grandes quantidades de azulejos portugueses, a azulejaria vai passar a ter uma utilização diferente com o revestimento das fachadas. A partir de meados do século XIX, esta prática estendeu-se a Portugal, trazida pelos emigrantes que regressavam às suas terras.


3.5 A arte do azulejo do século XIX e XX


Cavalcanti e Cruz (2002, p.18 e 19) comentam:

O século XIX foi uma forja das experiências mais variadas. Por um lado, o neoclassicismo, todo acadêmico e entregue às regras do passado, animado pelas descobertas obtidas nas escavações de Herculano (1711) e Pompéia (1748); a revelação da arte egípcia feita pelos especialistas que acompanharam a campanha napoleônica no país dos faraós (1798-1799). Por outro lado, o que se costuma chamar "historicismo", constituído por retornos denominados neobizantino, neo-românico, neogótico; o ecletismo procurando uma unidade difícil de encontrar entre os vários estilos; o romantismo pregando a luta contra as regras tradicionais. No último decênio do século XIX, despontaram ainda novos movimentos artísticos, a art nouveau e a art déco, que deixaram traços em todo o mundo, inclusive nos azulejos.


A partir de 1822, continuou-se, no Brasil, a empregar azulejos. Depois de cerca de vinte anos de interrupção da exportação, Portugal retomou a posição de grande fornecedor de azulejos até a Primeira Guerra Mundial. Contudo, mesmo antes da Independência do Brasil, os construtores de edifícios recorreram aos mercados fornecedores europeus para obtenção daquele material. Razão pela qual há no Brasil, azulejos holandeses, franceses, ingleses e alemães.


Em 1861 na província do Rio de Janeiro, no Brasil, iniciou-se a produção de azulejos com Pedro Antônio Survillo & Cia., porém, não teve êxito.


Em Portugal, graças ao impulso dado à indústria pelo Marquês de Pombal, o fabrico de azulejo iniciado em oficinas portuguesas teve a primeira linha de produção na Fábrica Real do Rato (Lisboa), que funcionou até 1836. Surgiram outras como Juncal (desde 1775); Sacavém (1856); Massarelos (Porto), que produziu azulejos em relevo; Carvalhinho (1853); Santo Antônio da Piedade, no Porto; Devezas (1865), em Gaia; e Bordallo Pinheiro (1884), em Caldas da Rainha.


A produção de alisares e painéis pintados à mão, na primeira metade do século XIX, foi realizada dentro do estilo neoclássico, mantendo-se a paleta de cores que compreendia o amarelado, o verde, o azul e o roxo com tonalidades leves. Os azulejos de figura avulsa continuaram sendo feitos dentro da técnica artesanal da maiólica. Na segunda metade do século, a industrialização começou a penetrar nos centros produtores, dando aos azulejos avulsos maior expansão.


Para a decoração destes, deram-se diferentes formas e expressão aos protótipos de Delft, usando novas tonalidades de azul e criando-se cantos de estrelinhas, ou de pétalas de ligação, e colocando, no centro, figuras populares nacionais. A produção de painéis, no entanto, foi comedida.


Segundo Cavalcanti e Cruz (2002, p.20) Continuou-se a executar azulejos estaníferos pelo método antigo ou lhe dando decoração mais simplificada e cores menos vivas. A execução de peças por prensagem de molde teve lugar na fábrica de Massarelos e em Vila Nova de Gaia.


As oficinas de Devezas e Santo Antônio (Porto) abasteceram o mercado brasileiro de peças decorativas de faiança branca e policromada (figuras mitológicas, balaústres, pináculos, leões, vasos, urans etc.). Ainda hoje se podem admirar, no Brasil, esses trabalhos coloridos e esmaltados decorando jardins e pátios.


Algumas cidades, brasileiras, como São Luís do Maranhão, Belém do Pará, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, apresentam ainda a fachada das casas de seus arruamentos revestida de azulejos portugueses inspirados nos motivos tradicionais ou em protótipos estrangeiros modificados. Os azulejos franceses também se encontram em muitos edifícios do Recife e de São Luís do Maranhão. Constituem, sobretudo, documentos históricos do século XIX.


Almasqué e Veloso (http://www.oazulejo.net/oazulejo_frame.html), ressaltam:


Nas primeiras décadas do século XX, o azulejo foi influenciado pela art nouveau que aparece nos trabalhos de Rafael Bordalo Pinheiro e em numerosos frontões e faixas decorativas produzidas nas fábricas de Sacavém, Desterro, Carvalhino e Fonte Nova. A art deco, que teve uma presença mais discreta na azulejaria portuguesa, foi predominantemente utilizada em vestíbulos, tabernas e num núcleo numeroso de fachadas em Vila Franca de Xira.

            A partir de 1950, os artistas plásticos portugueses começaram a interessar-se pela utilização do azulejo. Jorge Barradas foi considerado o renovador da cerâmica portuguesa e Keil do Amaral, nos contatos com os arquitetos brasileiros, redescobriu as potencialidades deste material de revestimento cerâmico. Outros destaques pela dimensão, bem como, pela qualidade da obra produzida, são Maria Keil, Manuel Cargaleiro, Querubim Lapa e Eduardo Nery. A azulejaria moderna portuguesa enriqueceu-se com alguns exemplares notáveis como os conjuntos de painéis da Av. Infante Santo e do Metropolitano, a fachada da Reitoria da Universidade e o painel da Av. Calouste Gulbenkian, todos em Lisboa.


Imagem 15 – Painel Avenida Infante Santo




            O azulejo português continuou, na segunda metade do século XX, sendo aplicado e reafirmando-se como uma das manifestações mais originais das artes decorativas europeias.

O próximo capítulo trará a biografia de Athos Bulcão - um gênio dos azulejos

sexta-feira, 9 de março de 2012

Arte Islâmica

Neste capítulo eu abordo um pouco sobre a Arte Islâmica no que tange a artes visuais e arquitetura. E, ainda, apresento uma definição sobre Arabescos.



2 ARTE ISLÂMICA


De acordo com Santana, (http://www.infoescola.com/artes/arte-islamica), Maomé, rico comerciante de Meca, após uma suposta revelação divina, tornou-se o grande profeta muçulmano, dando origem ao Islamismo. Religião monoteísta sofreu resistências das tribos árabes que até então eram politeístas. Em decorrência disso, Maomé passou a ser perseguido e teve que se refugiar em Medina, no ano de 622, - evento conhecido como hégira – marcando o início do calendário muçulmano.

A partir do século VII esta cultura religiosa, disseminou-se pela Arábia e por vários países da Europa e da Ásia, entre eles a Espanha, a Índia e outros.

O Portal Brasil Escola (http://www.historiadomundo.com.br/arabe/arquitetura-arabes.htmafirma, à medida que se expandiu, o Islã assimilou as distintas tradições culturais e artísticas dos povos conquistados. Obteve assim, um estilo artístico próprio, com algumas variações dependendo das áreas climáticas, bem como, dos materiais disponíveis.

No Alcorão, é marcante a herança linguística da literatura árabe. O Portal Brasil Escola (http://www.historiadomundo.com.br/arabe/arquitetura-arabes.htm) comenta ainda:

A importância desse livro na cultura islâmica e na estética da escritura arábica contribuiu para o desenvolvimento dos estilos decorativos caligráficos em todos os campos da arte islâmica. A palavra escrita, especialmente as inscrições do Alcorão, tinha uma importante função decorativa nas mesquitas e em seus objetos litúrgicos.




pode-se destacar como principais características do povo muçulmano:

* a fidelidade aos princípios do Alcorão;

* a valorização da arquitetura;

* o aniconismo (recusa da representação figurativa na pintura e na escultura);

* a tendência para a geometria (presente na arquitetura pela configuração das plantas e pela organização volumétrica das construções e nas restantes artes, sobretudo na decoração constituída por arabescos);

* a atenção dedicada às artes aplicadas como a cerâmica, os azulejos, os estuques decorativos e os tapetes;

* o gosto pela exuberância e pelo luxo (visível na variedade de materiais, na ornamentação e na policromia dos interiores).

Para Santana (http://www.infoescola.com/artes/arte-islamica), a arte islâmica abrange a literatura, a música, a dança, o teatro e as artes visuais de uma vasta população do Oriente Médio que adotou o Islamismo. Conforme mencionado anteriormente, percebe-se a influência das civilizações pré-islâmicas, dos povos conquistados assim como a produção artística marcada pelas questões religiosas.

O destaque no presente trabalho será para as artes visuais.



2.1 Artes visuais

As artes visuais islâmicas possuem uma variedade de estilos e o uso de técnicas eficazes além de serem decorativas e coloridas, constituídas em grande parte por elementos geométricos e arabescos. Mas também é possível encontrar diversas expressões de imagens animais e humanas, que prevalecem especialmente em contextos profanos. O que o Alcorão condena é o culto de imagens.

Os arabescos e os manuscritos eram utilizados tanto na arquitetura quanto na decoração de objetos.



Imagem 1 – Utilitário em arabesco

Fonte: http://kelli-homeniuk.blogspot.com/2009/08/arte-islamica-desvendando-o-principio.html


A produção de cerâmicas, os vidros, a ilustração de manuscritos e o artesanato de madeira e metal também foram muito importantes na cultura islâmica.

De acordo com o Portal Brasil Escola (http://www.historiadomundo.com.br/arabe/arquitetura-arabes.htm) uma das manifestações artísticas mais admiráveis na arte islâmica foi a cerâmica, principalmente a decoração da louça de barro esmaltado, na qual se pode constatar um grau de inovação e criatividade comparável ao das artes plásticas de outras culturas.

Os artistas muçulmanos desenvolveram novas técnicas e produziram vidro talhado, vidro brilhante pintado e vidro estampado.

Santana (http://www.infoescola.com/artes/arte-islamica), descreve que, a ilustração de manuscritos é igualmente muito reverenciada nos países árabes e a pintura em miniatura foi a maior e mais característica manifestação artística do período que se seguiu às invasões dos mongóis (1220-1260). O Islã considera a palavra escrita o meio por excelência da revelação divina. Por essa razão, a arte caligráfica se desenvolveu de forma rica e complexa, empregando uma ampla variedade de caracteres cursivos.

Para o Portal Brasil Escola (http://www.historiadomundo.com.br/arabe/arquitetura-arabes.htm), a escrita cúfica, apropriada para ser lavrada na pedra, aparece nos primeiros manuscritos do Alcorão. No período seldjúquida, surgiu a escrita naskh, mais cursiva e fluida. Os dois estilos foram utilizados na arquitetura e em peças decorativas.

Imagem 2 – Escrita cúfica e escrita naskh

Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=312

Além de seu emprego decorativo na arquitetura, a madeira foi trabalhada como material de outras artes aplicadas. Nos palácios e em peças de mobília, tal como os biombos.

As caixas de marfim talhado e os dentes de elefante abundavam na corte fatímída, tradição que continuou na Sicília muçulmana. Neles, eram representados cortesãos, animais e vegetação.

Alguns dos objetos de bronze islâmicos no princípio adotaram as formas sassânidas, mas o período fatímida produziu objetos de bronze com forma animal. Entre os objetos mais importantes encontram-se os candieiros, taças e jogos de jarra e bacia para lavar as mãos com incrustações de prata e ouro, inscrições e motivos abstratos e figurativos.

Santana (http://www.infoescola.com/artes/arte-islamica), comenta que a pintura islâmica é expressa por meio de afrescos e miniaturas, em geral empregadas na decoração das paredes dos palácios ou de edifícios públicos. Seus temas abrangiam episódios de caça e do cotidiano da corte. O estilo era similar ao da pintura helênica, com influências da Índia, da cultura bizantina e também da chinesa.



2.2 Arquitetura islâmica


Pontes (http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com) destaca que, as cidades tinham edifícios voltados para dentro e eram constituídas por partes distintas: a medina (núcleo principal) onde se agrupavam a mesquita, a madrasah (escola para estudantes do Islã) e o palácio; o soukh (mercado), rodeado por ruas estreitas e sombrias, onde não faltavam o caravansar ou alhóndiga (espécie de pousada-armazém-estábulo para comerciantes de fora), e os banhos públicos, análogo ao estilo romano; e a alcaçaria (zona de administração da cidade).


Imagem 3 – Madrasa Masjid-i-Sha, de Isfahan, construída entre 1612 e 1637. A cúpula é um dos exemplos de azulejaria mais delicados do mundo.


Segundo Santana (http://www.infoescola.com/artes/arte-islamica), as técnicas variavam de acordo com as etapas históricas e os territórios onde se desenvolviam. Em geral as mesquitas seguiam o mesmo padrão – um átrio e uma sala para orações – mas, possuíam decoração e formas diversificadas. No Irã, por exemplo, utilizava-se o tijolo e o que se chama de iwans, formas específicas e o arco persa. Já na Península Ibérica havia uma opção por uma arquitetura colorida, enquanto na Turquia a influência bizantina manifestava-se através da presença de grandes cúpulas nas mesquitas.


Imagem 4 - Mesquita Azul, em Istambul, na Turquia, 1916

Pontes (http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com) descreve que os palácios, centro político e administrativo, morada de reis e príncipes, possuíam uma planta quadrada e um grande número de aposentos, dispostos de forma labiríntica em torno de um pátio interior aberto, também quadrangular. Eram decorados por fontes e jardins e fechados por muros altos, entremeados por torres de vigia, parecendo exteriormente autênticas fortalezas.

Para o Portal Brasil Escola (http://www.historiadomundo.com.br/arabe/arquitetura-arabes.htm), outro edifício importante no Islã é o mausoléu, onde eram sepultados os governantes como símbolo de seu poder terreno.



Imagem 5 - Mausoléu do imperador Akbar

Fonte: http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com/2009/05/arte-medieval-arte-islamica-muculmana-e.html

Ainda segundo Pontes (http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com) as coberturas mais utilizadas foram as abóbadas e as cúpulas embora algumas construções apresentassem tetos planos em madeira, muitas vezes artesoados (com uma espécie de moldura) e/ou com decorações como as muqarnas (saliências com efeito de "escada").

Os cerâmicos (mosaicos, ladrilhos e azulejos), de terracota, estuque, madeira, mármore e pedra eram usados como elementos decorativos nos edifícios islâmicos.     

            Os motivos utilizados possuíam formas vegetais (cachos, folhas, flores), geométricas (fitas entrelaçadas e formas estreladas, poligonais) epigráficas (a escrita árabe foi largamente utilizada uma vez que não se podia utilizar a figura humana) e mistas (variando entre vegetais, geométricas e epigráficas).



2.3 Arabescos


Conforme visto, arabesco é um ornato característico da decoração islâmica.

         De acordo com Silva (http://www.veiasdahistoria.blogspot.com), o termo arabesco surgiu na Itália, durante o século XVII, para se referir aos desenhos com padronagens geométricas vistos basicamente na arquitetura islâmica e em tapetes persas.

Originado com os artesãos helênicos da Ásia Menor, em torno do século III a.C. esse estilo decorativo foi adaptado e consagrado pelos artistas árabes que o adotaram a partir do século XI d.C.

Os arabescos tornaram-se uma das marcas registradas da ocupação da Península Ibérica pelos mouros, entre os séculos VIII e XV, e mais tarde, tiveram forte influência em estilos artísticos europeus como o barroco e o art nouveau.  

Para os Muçulmanos, essas formas em conjunto, simbolizam o infinito, que se estende ao mundo espiritual abrangendo a criação do Deus único (Alá).

          Ainda para Silva (2011), suas formas são quase sempre abstratas, com raríssimas exceções figurativas (geralmente flores, frutas e plantas entrelaçadas). A lei islâmica, proíbe qualquer representação da figura humana e de outros animais uma vez que, segundo o Alcorão, somente Alá tem o poder de dar forma aos seres vivos.

Para tanto, podemos considerar que arabesco é uma elaborada combinação de formas geométricas e abstratas que emprega desenho de flores, frutos e folhagens produzindo curvas entrelaçadas.


Fiquem atentos ao próximo capítulo que tratará da Azulejaria...

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Utilização da Arte Milenar dos Arabescos no início do Século XXI

Aproveitando que estamos falando de Arabescos. Quero compartilhar com vocês o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que desenvolvi ao final da pós graduação em Artes Visuais.


INTRODUÇÃO

Observa-se no mundo contemporâneo, uma constante utilização do arabesco como elemento decorativo em materiais de divulgação de empresas, em objetos, sacolas, adesivos, guardanapos, entre outros, com a finalidade de trazer um retorno à natureza, a delicadeza, sobressaindo o feminino e a sinuosidade das curvas que contrapõem à frieza vertical e horizontal desta época.

Conforme estudado no decorrer do curso, a sinuosidade remete a uma leveza, fluidez, a ondulação, movimento.

Arabescos são formas sinuosas e delicadas que atraem o olhar. Desde 2008 aproximadamente a autora utiliza este ícone em suas telas e o mesmo tem se proliferado tomando formas diferenciadas. Neste momento, há a necessidade em aprofundar o assunto buscando um referencial.

O presente trabalho refere-se à utilização da arte milenar dos arabescos no início do século XXI. E, como proposta de atividade prática será a pintura de arabescos em azulejo a fim de alterar o suporte da tela tradicional utilizado até então que é a pintura sobre tela.

Esta pesquisa tem como proposta explorar o arabesco desde sua origem como elemento decorativo até os dias atuais servindo de suporte teórico para a criação de um painel de azulejos.

Para tanto, será necessário, realizar um breve histórico sobre a arte milenar dos arabescos do século XIV até os dias atuais. Identificar a origem dos azulejos portugueses e a sua influência nos azulejos brasileiros. Pesquisar o trabalho desenvolvido por Athos Bulcão. E ainda, realizar um mural de arabescos em azulejo tendo como referência a artista Beatriz Milhazes.

Para execução deste projeto, foram realizadas pesquisas bibliográficas de caráter investigativo com o objetivo de coletar históricos tanto dos arabescos quanto dos azulejos.

As informações para embasamento teórico foram coletadas basicamente através da internet, acessando temas correlatos. Houve certa dificuldade em adquirir o referencial bibliográfico, porém, o principal embasamento que se refere à História da Azulejaria e sobre a arte de Beatriz Milhazes foi obtido por meio de livros que a autora já possuia.

O trabalho será desenvolvido em cinco capítulos. O primeiro se refere à origem dos arabescos e a sua aplicação na arte islâmica bem como na sua perpetuação até os dias atuais.

Desenhos de padronagens geométricas, os arabescos eram aplicados em azulejos tanto na arquitetura religiosa, na arquitetura civil bem como na decoração de objetos formando verdadeiras obras de arte.

A grande influência para a propagação destes elementos foi decorrência do Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, que proibia a utilização de imagens humanas e de animais.

No capítulo seguinte, um breve histórico dos azulejos será apresentado destacando a diversidade de técnicas e padronizações aplicadas até os dias atuais. Os portugueses tiveram grande influência, pois, souberam adequar as técnicas de acordo com as necessidades que surgiam. E, em virtude, da coroa portuguesa ser transferida para o Brasil, este objeto foi trazido para cá e utilizado de maneira diferenciada influenciando a moda das casas.

O terceiro capítulo apresenta um brasileiro, desconhecido por muitos, que soube tão bem desenvolver o seu trabalho sob os azulejos, que foi Athos Bulcão. Por convite de Oscar Niemeyer trouxe cor e “brincou” com as formas geométricas em diversos prédios públicos e monumentos de Brasília. Partindo do despropósito com que eram aplicados os azulejos, sem pensar na sua forma original, mas nem por isso deixando de atrair a atenção.

Por outro lado, temos os arabescos e formas orgânicas utilizadas nas pinturas e colagens de Beatriz Milhazes que serão abordados no quarto capítulo. A artista faz parte de uma geração em busca de novas técnicas e possibilidades. Desenvolveu uma técnica de colagem que é característica do seu trabalho assim, como a sobreposição de ícones e cores.

O trabalho finaliza com a realização de uma atividade prática. Da pintura para o azulejo, a autora modifica o suporte de suas obras corriqueiramente utilizado. Alia arabescos, cores e azulejos fazendo referências aos artistas estudados anteriormente – Athos Bulcão e Beatriz Milhazes. E, apresenta uma arte que dependerá do “experimentador” interpretar à sua maneira.

Amanhã postarei o capítulo "Arte Islâmica"...